Alma
6 de Janeiro
Tipo: Lírico
Postado: 03/02/17 13:20
Editado: 03/02/17 13:21
Gênero(s): Drama Reflexivo
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min
Apreciadores: 6
Comentários: 3
Total de Visualizações: 864
Usuários que Visualizaram: 11
Palavras: 184
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Alma

Minha alma foi levada para longe do meu corpo

Ela foi tirada de mim

Ela apanhou, ela foi machucada

Minha alma velha,

Que nem se lembra mais de como era

Prefere se manter assim bem calada

Silenciosa, acorrentada...

Ó, minha alma, por que andas tão cansada?

De que lembranças se recorda agora?

Pra que lado você pensa em fugir?

Pra quais cantos você quer correr?

Sem temer, venha...

Não é sua hora,

Volte para dentro do meu corpo

Que eu preciso nascer de novo

Venha ver uma nova aurora

Sei que a casa é desconfortável

Mas é aqui o seu lugar

Volte a me aquecer

A me fazer viver

Basta de parar o vento

Basta de contar as horas

Apenas viva,

Ouça a voz que te implora:

- Limpe suas lentes foscas

Volte a ver vida nas árvores

Volte a ouvir os sons do vento

Volte a ter algum contentamento

Ó alma, alma minha,

A vida não é só seus inventos,

Não é só uns tempos,

A vida é o nosso agora,

Volte para casa,

Pois a poetiza,

Com a mente vazia,

Ainda te aguarda.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Obrigada por ler!

Apreciadores (6)
Comentários (3)
Postado 06/02/17 00:34

Alma, o objetivo mais indecifrável do universo, mas mais desejado.

Amei <3

Postado 06/02/17 17:09

AAAA, obrigada <3

Postado 07/02/17 15:23 Editado 07/02/17 15:37

Vá lá que, forçosamente, seja preferível deixar a alma voar para longe. Ou nem voar, e sim simplesmente deixar de ser, desintegrar. O que afinal seria esse voo? É no tempo, na imaginação, no espaço, na memória, em tudo ao mesmo tempo ou em nada? Não que o "ser" seja uma alma ou uma ideia de alma, mas não também que a ideia não seja forte o bastante para acabar sendo alguma coisa para nós, já que não temos mais nada com o que ser ou fingir que somos. E talvez nisso mesmo ela seja exatamente tudo, e daí talvez venha essa dependência sem (precisar de) sentido, essa obsessão com essa parte de nós que não entendemos e vai ver nem existe, mas sendo assim é provavelmente a parte mais interessante que temos, pois a inventamos... e esquecemos.

Vai ver "viver" é só outro voo dessa "alma"; ou vai ver não é coisa nenhuma; mas vai ver também o jogo é qualquer tanto mais divertido com essa dicotomia.

Aliás... teu poema está muito bem escrito.

Postado 07/02/17 17:42

Obrigada, seu comentário filosófico do amor, também!

Postado 27/04/17 08:55

Eu não sei como expressar com palavras os sentimentos despertados em meu âmago ao ler este soturno poema, pois ele me arremete tanto ao passado quanto ao agora: o vazio interno, o nada de dentro, o batimento cardíaco apático. Mas, provavelmente no meu caso, não houve voo e sim uma queda livre rumo ao abismo. E nisso ela se corrompe, adoece, esfria e se afasta mais e mais...

Rumo ao leito do Inferno.

Deveras inspirador este poema, Srta Janeiro... Tal qual a senhorita o é para mim em N aspectos... Meus parabéns por ser uma das melhores e mais aprazíveis autoras deste site! É um privilégio ler suas obras e deixar-nos levar por elas!

Atenciosamente,

Um ser com uma alma ferrada, Diablair.

Postado 28/04/17 00:04

Nos encontramos atualmente no mesmo estágio espiritual, caro senhor, infelizmente? Felizmente? Não sei. Estou pertencendo a todas as horas vazias, e aos sentimentos corruptíveis e às palavras incognitas, mas ler este comentário, me fez ficar bem de alguma forma, e espero que inspirada. Muito obrigada, como sempre.