Eles, olham bem de perto,
seus olhos paralisados de pânico,
que não parecem ter força interior.
Eles, a amarram e a isolam,
alguns até choram,
o que será que ela fez?
Linda, e fraca menina,
rindo aqui sozinha,
no fim do corredor aos pedaços.
Por mais que suas orelhas, só se aproximem alguns centímetros,
e sua boca nada pronuncie,
ela sabe que você está aqui.
Ela se debate em pânico, sua cabeça se choca,
contra o chão e a cadeira,
enquanto ela se contorce,
eles, enraivecidos,
já preparam a esteira.
Não imaginam, que no interior,
deste corpo dócil,
há uma guerra acontecendo,
luzes, borbulhas e rachaduras,
a desgastam por dentro.
Arde, frio e calidamente,
enquanto as agulhas alcançam-lhe as veias;
calmaria, por alguns minutos,
quem imaginaria
que logo vocês todos, sentirão medo...?
Todas, as luzes se apagam,
as janelas se quebram,
portas se estilhaçam;
botas de ferro são inúteis para impedí-la,
não se escondam atrás das cortinas,
não ousem, descer as escadas,
acordados à esta hora?
Quem quer brincar comigo agora?
Silêncio,
Aonde se esconderam?
Doutora, ainda posso ver o seu cabelo.
Silêncio,
ainda ouço passos,
qual de vocês é o mais matreiro?
Silêncio,
a lua me acompanha,
sua luz mancha,
o corredor por inteiro.
Não, não teremos pausas,
eu prevejo o griteiro,
quando virem o que eu me tornei.
Tic-toc
o relógio avisa,
meu espírito mentaliza,
e sei aonde cada um está,
mas, estas coisas levam tempo,
ainda preciso me banhar.
Encharcando
todos meus demônios,
todos eles risonhos,
também querem brincar,
essas vozes,
dentro do meu peito,
e esse suor que me desce pelas costas
não esqueço, não quero perdoar.
Enxugando,
todos os meus medos,
vestida de branco,
estou pronta para caçar.
E então, cada choque,
que eu recebi,
cada noite que eu sofri,
se transformam,
em arte clássica,
enquanto corto duas gargantas com uma só navalha.
Tic-toc
só está em perigo,
quem um dia me aterrorizou,
Splish-splash
mancha as minhas roupas,
enquanto seu sangue lava o chão,
cabeças e olhos,
por todos os cômodos,
todos ainda quentes,
bem colocados,
O que é isso?
ainda ouço passos,
pequenos, mas bem dados,
eu fiz adormecer a todos,
ou será que me enganei?
Tic-toc
a escuridão é densa,
as vozes em minha mente,
ainda querem mais,
Tic-toc
a navalha intensa,
despedaça outra cabeça,
enquanto quatro pares de pernas,
ainda insistem em correr.
Vou andando calmamente,
sem pensar em temer,
assombrações não precisam se apressar,
vou praticamente parando,
é isso o que mais vai te assustar.
Quadros e quadros,
me seguindo com os olhos,
eles apreciam,
minha composição,
eu pensei ter ouvido passos,
mas agora, os quatro pares de pernas,
estão imóveis no chão.
Silêncio,
tem alguém aí?
Como ousou me plagiar?
Esta é a peça da minha vida,
levei tempo para produzí-la,
você não pode simplesmente roubar.
O que mais você copia?
Também os esconde,
embaixo de seus próprios cobertores,
molhados com o líquido da vida?
Tic-toc,
plick-plock
toc-toc
Eles, a olham bem de longe,
ela está de fronte
à um arsenal de insetos,
que gemeram e pediram,
mas logo foram caindo,
até não sobrar ninguém de pé.
- Menina, tão linda e tão macia,
sua pele talvez me serviria de suéter,
sua, melancolia é fajuta,
sua peça é igual,
a tantas outras que eu já assisti.
Que diferença, vai fazer,
se um deles não correr?
Que diferença, vai fazer?
se você começar a se esconder?
Aonde está a sua coragem,
e a lua que seguia os seus passos?
Aonde está a sua navalha,
de repente, ela se esqueceu de você.
Não adianta, tapar os ouvidos,
você sabe que eu estou aqui,
que diferença, poderia fazer,
aquele quarto que você não conferiu?
que diferença, um garoto qualquer,
poderia fazer nesse seu plano;
você não pensou nas possíveis falhas, sequer?
Aonde, está a sua força,
as vozes na sua cabeça,
não te fizeram mais mulher?
Toc-toc,
seu coração balança,
estou na cozinha,
no mesmo lugar que você,
enquanto, desvio de outros corpos,
sinto o cheiro do seu vindo bem daí.
Cheque-mate
nenhum pio,
vais terminar, em pedaços dentro de um barril;
este lugar,
tem vida própria,
que foi sugada entre os pisos,
este lugar,
tem uma história,
e agora somos, parte dela também,
venha comigo,
não hesite meu bem,
toda essas peles frescas,
me servirão de suéter,
e a sua também.