Tempo moroso que me faz sofrer,
Em dias ruins só sabes fazer
Com que piedade te suplique o prazer
Quando não lhe tenho só sei te querer,
Quando não estás, só desejo te acolher.
E quando tu passas remeto-me a lamentar,
Revelo minha dor pelo chorar
E as lágrimas que escorrem do meu rosto
São singelas e amenas por simples desgosto.
Tempo que cura os males intangíveis.
Que adentra nas mazelas de um pobre coração
Desperta em mim a ira perceptível
De quem ama e não tem o amor na mão.
Tempo das proezas e esperanças
De um futuro doce como criança
Faz deleite com a fantasia
De quem só deseja ter o amor quiçá um dia.
Tempo que ligeiro demonstra passar
Suplico-te piedade ao zelar
Por minha vida sem frescuras
Em que eu possa viver sem lamentar.