Capão e o seu aroma. Os vidros de todas as janelas de Capão, de prédios e casas, estavam constantemente sendo atingidos e perdendo a sua nitidez pelos velozes pingos da chuva da noite. Este, frio, temporal percorreu junto aos seus trovões e clarões todo o escuro dos céus do litoral e ocorreu em muitas cidades praianas do Rio Grande Do Sul, isto é, locais do litoral, como: Capão Da Canoa, Tramandaí, Torres, Xangri-lá e Atlântida e muitas outras.
Dentro de um condomínio perto da entrada de Capão, com os rostos molhados e amarelados pelo poste falho que piscava aos seus lados, amigos se despediam no meio da rua, debaixo da chuvarada, com um aperto de mão elaborado por um deles e pedalavam para lados contrários uns dos outros, cada um em direção a sua casa, algumas vizinhas e outras não. Já longe, todos olharam para trás para verem os outros passarem por poças amedrontadoras com suas bicicletas pela última vez naquela noitada, para logo chegarem em casa, beberem água e dormirem nas suas camas sem cobertores, apenas cobertos pela brisa gelada que vinha de fora da janela, de fora na chuva. Eles não queriam se esquecer daquele vento quando crescessem, dos amigos nem do cheiro de Capão.
Os amigos, deitados longe, mas tão pertos, lembraram do dia que passara e torciam para que o de amanhã fosse melhor ainda, porém que não chovesse, porque assim eles conseguiriam ouvir o mar dos seus quartos à noite.