Bom, por onde eu começo?
Ah, já sei, - pelo clichê - ando há muito, pensando em você.
Não, não, nunca fica bom, pare de roubar minha palavras, preciso limpar minha mente e parar de me lembrar de como são os seus olhos...
Por que nos tratam como completos surdos? Eles acham que não ouvimos, ou que não sentimos, ou que uma palavra ou outra não nos faz perder a linha e parar o coração...
Hmmm, não, ainda não está bom, então, pois bem, acho melhor ser totalmente sincera, daqui pra frente. Sem poesia, sem outros significados.
Apenas eu.
De frente para o espelho que eu finjo ser você.
Olá, você foi o meu feliz ano novo - que sem nem começar direito, já me partiu o coração - que sem nem dizer oi direito, já me fez pensar em mil formas de ilusão, você, com seus cabelos, e suas mãos e seus lábios, e seus pés e sua alma, e seus olhos tão marrons, e seu nariz, e suas sobrancelhas e sua barriga e tudo aquilo que faz parte de você, me fez perceber o quão boba eu sou.
Você está sempre ali do lado, aguardando, observando, e eu, aperto os olhos, minha mente insiste em tentar me fazer pensar que eu não sei que é você ali, sentado... E, quando eu desfaço minha careta maquinalmente desenvolvida, seu sorriso há muito, já foi embora.
Por que raios eu sou assim? Eu sou comprada com seus olhares que duram menos que uma piscadela, eu sou comprada com seus sorrisos que nem são pra mim, eu sou comprada com essas frases que você compartilha com, ou sem pretensão, eu sou comprada com sua muralha de informações e com nossas ínfimas semelhanças que eu poderia ter com qualquer outro...
Mas, é que, eu sou mesmo barata, eu sou aquelas que ficam no fundo da prateleira, e as pessoas passam e encaram, e me manuseiam e percebem que eu sou um pacote amassado, e então, me largam, preferem um mais novo, mais bonito, e até, mais barato.
É que, eu sou tão confusa.
Eu juro, fiquei horas tentando escrever, como eu meramente me sinto todos os dias em relação a você e eu tentei, ah, como eu tentei fazer isso em prosas ou sem me sentir culpada, mas simplesmente não consigo e me sinto falando na frente do espelho, apenas sibilando, como eu faço sempre quando eu entro no quarto ou no banheiro.
Você não é meu quarto, nem meu banheiro, mas, seria tão mais fácil se o fosse.
É que, hm, pois é, somos tão banalmente intensos.
Eu fico com medo de te atrapalhar, te de enjoar, de te deixar entediado, mas, como você saberia o que eu sinto? Se eu mesma, nem te falo?
E QUE DIFERENÇA FARIA?
Coragem, coragem, é só um espelho, nos refletindo na minha imaginação.
Por causa de você e destes sentimentos que eu me obrigo imediatamente a sentir, todos os meus escritos, tem se tornado um completo fracasso, mas obrigada, obrigada por não manter contato - estou sendo bem sincera não? Sei que pra você eu não sou nada - mas dói.
Dói não ser o motivo do brilho dos seus olhos, e dói não ter agido quando eu tive oportunidade, dói ignorar a realidade e ser uma atriz assim tão boa, dói pensar em você enquanto eu estou deitada na cama, dói não conseguir mais pensar em coisas depravadas e corriqueiras, só por que você tirou o pó dos móveis de dentro da minha alma quando disse: "Oi Ana".
Você aconteceu, por alguns segundos.
E isso foi bom.
E será culpa minha, se isso se tornar imundo.