Querida Anastácia,
O castanho de seus olhos me deixavam em completo êxtase. Não sei bem o motivo, porém eu adorava isso. E não. Não adianta me questionar; não saberei como lhe responder. Nunca sei, na real, como me portar perante as coisas ou dar uma resposta explicativa o bastante, você bem sabe disso. Mas, voltemos ao seus olhos.
Já lhe disse que eles brilham como dois sóis? Já, não é? Aposto que sim. Além disso, são tão expressivos que basta um olhar para que eu entenda o que você quer dizer, sem necessitar de palavra alguma. E, no momento, você estava precisando de um abraço. Daqueles apertados.
Afinal, hoje foi o dia em que todos jogaram pedras em você. Sua mãe, seus irmãos, o pessoal fútil da faculdade... Todos eles pisando na pequena grande garota que eu sei que você é. Só por que você terminou com um babaca que apenas te usava. Agora, dizem que seu coração tornou-se completamente gélido.
“Saia de perto dela, vai se magoar”, é o que me dizem. Mas eu não dou ouvidos. Não dou a mínima – você é o que me importa. Pode me bater, pode me dar foras. Não importa, estarei do seu lado pro que der e vier, lembra? Prometemos isso quando éramos duas crianças. E quando eu prometo algo, e pra vida toda.
Já passamos por muita coisa, recorda-se? Tantas brigas que te livrei. Tantas brigas que eu entrei por sua causa. Ainda tenho lembranças daquela vez em que esmurrei um cara por ele ter assediado você naquela festa de merda do Leonardo. Bom, eu adorei – por isso, nunca ei de me esquecer.
...
Há coisas que eu adoraria dizer para você, mas eu não faço ideia de como fazer isso. Não tenho mesmo. Talvez, escrevendo essa carta, eu consiga. Talvez. Não sei. Você me conhece, sabe como eu sou meio... Enrolado nessas coisas. Sou o digno poço de sentimentos sem fim e confusos.
Enfim, Ana, quem sabe você saiba o que fazer, no fundo. Todos lhe dizem que seu coração não é nada e que você não tem sentimentos. Mentira, eu sei que é mentira. E você também sabe, não é? Sempre se meteu em confusões amorosas, e lá estava eu, seu fiel companheiro, te ajudando a juntar os cacos e te fazendo se levantar novamente.
Só que eu não sei mais se eu aguentaria isso novamente. Não sei mais se vou conseguir ver você, novamente, se entregando pra qualquer um que não saiba dar valor e sequer te fazer feliz.
Em outras palavras, Anastácia, eu não sei se vou conseguir sobreviver a mais uma queda sua. Cada uma delas me mata aos poucos, me arranca pedaços de meu coração – pois eu sei que você nunca, nunca, me daria uma chance.
E agora sou eu quem lhe pergunto: porquê? Por que não me dá uma chance de lhe fazer verdadeiramente feliz? Qual o seu medo? Estragar a amizade? Não estragaria. Eu não daria motivos pra tal. Você daria? Tenho certeza que não.
Eu sempre te salvei. Sempre te levantei. Sempre te fiz feliz, mesmo eu não estando.
E, agora, talvez seja você quem me salve e se torne minha protetora...
Com amor, seu eterno porto seguro.