Que corpo é esse?
O que se passa em tua mente?
O que se destrói repentinamente?
Alguma certeza?
O que se foi?
O que se vai?
Algo fica?
(desmoronou)
Quem te espera ao fim do dia?
Quem te abandonou antes do raiar?
O que é o raiar?
Já viu algo além do dia se pôr?
Algo além do imposto?
Já disseste uma palavra tua?
Já agiste sem temer a reação dos demais?
Já foste quem dizes ser?
Já vem a chance de ser você mesma?
Já é presente?
(passou)
Já se perguntou do que não recordas?
Qual motivo dos distúrbios e desatenções?
Qual o motivo de não dormires quando anoitece?
O que é motivo?
É algo feito para justificar uma errôneidade?
É uma palavra que não nos inocenta?
O que é inocência?
Quem tirou a tua?
Quem te fez assim e julgou tua indecência?
Quem foi?
Alguém ainda vai?
Quem te protegerá dos demais?
(cessou)
Quem te defende?
Alguém te compreende?
O que sobrou do que sabias?
Algo te faz sentido nestes dias?
Quantas vozes te julgam pelo que te aconteceu?
Elas vem de fora?
Elas dormem contigo?
O que levou alguém a te levar para este abismo?
Existe justificativa?
Existe ação mais hedionda?
E quanto aos fantasma, ocupam teu próprio corpo?
O que te sobra além da culpa na própria carne?
(findou)
Quem já conheceu teu outro eu?
Eles te acham estranha por isso?
Alguém conseguiu conviver com teus traumas?
Com a violência da tua outra persona?
Vives a sós com a outra metades que não conheces?
Alguma vez alguém deu a entender que te ama?
Os remédios fizeram-te esquecer do que passastes?
(acabou)
Teu outro lado reviveu todos aqueles estragos...
As perguntas, um dia, pararam de vir,
Uma hora ela desmoronou,
Lutou, lutou,
Mas a dor nunca passou,
Os fantasmas que moravam no corpo
E as outras personalidades que tanto assustavam,
Que gelavam a espinha, descendo o torso,
Nada cessou...
Um dia, por volta da vigésima primavera,
Que apesar de assim os anos serem denotados,
Não tivera uma vida bela,
Decidiu que já era fim,
Não suportava reviver aquele pesadelo,
Sua vida findou.
Um dia, enquanto finalmente lúcida,
Impedida de viver pelos agouros,
Lembranças e dissociações.
Diziam que não era a melhor escolha,
Que ela poderia seguir a vida,
Mas como seguir algo que nunca foi só sua?
Por ao menos metade,
Nunca teve controle,
Nunca soube quem foi
E agora, era vários.
Nada lhe fazia sentido,
Tudo era insosso,
Tudo era amargo,
Tudo lhe era doloroso,
Assim, decidiu por terminar.
Aquela vida que nunca fora dela acabou,
O corpo,
Que corpo é esse, afinal?
Que marcado e demarcado
Por vívidos fantasmas
Todas em sua mente,
Parou.