De todas dores, feridas ou rancores,
De todos os amores e cores de flores,
De toda singela e terna harmonia,
De toda quebra, queda imunda,
De toda união passava à paixão,
De todo estado, espírito ingrato,
De toda alma, decente e calma,
De todas as velas, sua queima e fogo delas
De toda humanidade, perante o entendimento
Que toda vida que encerrada torna-se vazio
De todo fato, argumentando ou de certeza nata
Que pude averiguar, desfazer ou criar,
Pensei em plena loucura,
Completamente destoante ou por pura birra,
Em qualquer estado e, enquanto mudo, estatura
Que amar é, unicamente, amar a ti
E a ti amar é fazer-me existir,
Independente de lucidez ou luz artificial,
É viver acima da resistência
É vencer nas horas vagas,
O tempo que nos foi dado,
Nosso indeterminado e pútrefo estado,
É sobreviver e ter prazer na infinita relutância
Destoando o desejo último do corpo,
Este que em morrer tem ânsia,
Contrariando nosso afagos e esperanças.