Mal havia amanhecido e eu já me encontrava acordada admirando aquele que dormia serenamente em minha cama. Depois de dias em uma terrível alternância de momentos felizes e sorrisos lúgubres, finalmente encontrei a paz que almejava; por fim pude me redimir dos erros que me afastaram daquilo que deveria ser a minha prioridade, mas que abdiquei.
E pensar que um simples esbarrão na saída do metrô e um convite tímido para o café se tornariam os responsáveis pela nossa não tão inocente volta. Entre conversas e risadas, todo o estranhamento que havia predominado se dissipou como poeira estelar, submergidos na constelação do esquecimento.
Enquanto saíamos da lanchonete, a sensação de que tudo havia se encaixado reinou, mas restava a dúvida se o meu perdão seria concedido.
Foi novamente naqueles braços que me reencontrei, foram naquelas mãos que os pedaços partidos do meu coração se juntaram. Entretanto, nada poderia ter sido melhor do que ouvir daqueles lábios a sentença de nossa reconciliação.
Agora, zelando pelos sonhos de Luan, a ideia de que ele é formado pelos vestígios de uma explosão estelar tornou-se forte, pois nada poderia explicar como ele parece carregar uma constelação única e apaixonante dentro de sua eterna alma.