Chuva caindo
Olhos se esvaindo
Na madrugada
Que não acaba
Nuvens escuras
O céu acumula
Tal qual o tormento
Por dentro
A azul desaparece
A angústia cresce
Distante, cada trovão
Encobre a pulsação
Desta decomposição
Chamada coração
Erros cometidos
(Nada faz sentido)
Pessoas perdidas
(Incompreendidas)
(Feridas)
(Falecidas)
Percursos errados
(Desastres anunciados)
Tão pouco obtido
Ao longo do caminho...
(Sozinho)
Assim, resumidos,
Pesos imbutidos
No resto da alma:
Submersa, náufraga
No escorrer da lágrima
Nos gritos
(Suprimidos)
No som da chuva
Tão fria, tão pura
Desabando
(Me imitando)
Feito pranto
(Dói tanto...)
No meu corpo
Tão quente, tão morto...
Pensamentos
Sentimentos
Amálgama violento
Como o firmamento
Força da Natureza
Que vomita e pragueja
Assim como a consciência
(Inclemência)
Espiral descendente
Inclemente
Como a tempestade
E a saudade
E a infelicidade
(E a verdade)
Tudo fustigando
Transbordando
O que carrego
(Renego)
Como a sujeira da rua
E a que me inunda...
Que pena
Que o problema
É que cessa a chuva
Mas o Inferno continua
Como diria qualquer padre
"Até que a Morte os separe"...