Eu tive um amor de olhos castanhos. Ele não me sufocava, e sempre procurei entendê-lo. Eu tive um amor que me abraçava antes de dormir, e dizia “boa noite” quando estava perto de adormecer. E eu sempre dormia depois dele para garantir que ele dormia bem. Eu tive um amor que acordava cedo para ir treinar, enquanto eu continuava deitada na cama, e quando ele voltava eu já estava preparando o café. Eu tive um amor que me acompanhava durante minhas aulas, e eu também assistia as dele. “Acho que você já pode escrever um artigo sobre como saber se sua mulher realmente te ama, é só saber se ela agüenta assistir às suas aulas junto com você, não é?”, brincou uma vez um professor. Eu tive um amor que brigava, e depois acariciava. Eu tive um amor que sonhava, e me contava sobre os seus planos. Eu tive um amor que se importava até demais, e deixava isso transbordar. Eu tive um amor que precisava de liberdade, e era algo que eu não sabia dar. Eu tive um amor que precisava voar, e eu já não podia acompanhar.
Eu tive um amor de olhos castanhos [os castanhos mais bonitos que já vi].
E eu já não sei mais onde ele está.