Vocês que falam de amor,
Como um belo sentimento que corre em nossas veias,
Vocês nada sabem da vida,
Na vida, há mais dor que alegria,
Mais ardor que melodia,
Há vindas, idas e desperdícios,
Há todo possível mal que corre nas artérias,
Uma vida perdida a cada sístole,
Para cada músculo que se contorce,
Para cada célula que sofre apoptose.
Em cada nervo um impulso,
Mais que elétrico,
Difamador de uma possível felicidade,
Passivos, somos reles acoplados químicos
E se ainda sim, apesar da dor, ardor e desgraça,
Se ainda assim, apesar de guerras e mordaças,
Ultrapassando todo instinto egoísta
Que nos advêm, convêm e mantêm,
Somos capazes de amar,
Não há a vida para a qual superar,
Não há dores que ofusquem amores,
Não há uma maldição que não valha a pena,
Se por piedade ou desgraça alheia,
Um sentimento qualquer que palpite,
Desfizer-se perante a ida,
Verdadeiro nunca o fora,
Foi-se relento e lento,
Passageiro e profano.
Para mim, que nada sei da vida,
Parece-me conciso e de fato
Que apaixonar-me sem medidas,
Seja mais inato
Que mensurar, colecionar
Artefatos, dores,
Souvenires e rancores.
Privo-me do futuro
E amar-te-ei como se bem fosse meu passado,
Pois assim, te tereis sempre em mente,
Enquanto tenho-te no meu, constante e contínuo, presente.