Vós que sois voz do mundo,
Que amam uns aos outros de modo profundo,
Que são amantes e amados,
Que contagiam a nós com tua paixão.
Suplico-vos, não parem!
Deem a este poeta amador
A chance de transformar o que dói em amor.
Destruir rancores!
Implodir horrores!
Massacrar mazelas!
E ao fim de tudo, repousar tranquilo,
Aos sons mais belos e suaves,
Do riso fino e terno,
De só quem tu sabes reconhecer,
O toque macio, do arrepio.
Do se entregar.
Saber que dessa tua paixão desinibida.
Amar é deixar tua dona tão mais amiga,
Deixar tua moça bem mais sabida,
É conhecer e dar conhecimento,
Da tua alma e relento.
Saber acalmar e acalentar.
No anoitecer,
Mostrar todos os risos tortos
Já enrugados e vividos,
Enxugar as lágrimas derramadas,
Encobrir o corpo no inverno,
Acariciar por todo o eterno,
Estar presente e perecer,
Ao tempo que nos arrasta,
Mas que emprestou essa mocidade,
Para, a nós, entardecer.