Fruto displicente e inevitavelmente
Amargo da vida,
És, de certo, dissonante a cada verso,
Presente em cada pontual momento
Representado pelo sangue
Que se jorra quente do corpo alheio,
Que petrifica-se e mancha o solo
Derramado por amor e ódio.
Consumindo vorazmente
E distorcendo cada alma
Para a inerte assombração
De não mais existir.
Ser volátil e invisível
Partindo de tua posição,
Sobras e restos fertilizam a terra.
Esculpido em barro,
Pelo Deus que credes
Reverencear a morte,
És uma alma posta em um corpo pútrefro
E os vermes que agora roem tua carne,
Sentem gosto em desgustar das almas alheias
Das quais te alimentastes
E tu que a todos tanto odiou e se alimentou
É agora esqueleto imóvel
Tais quais todos os demais
Que sepultastes.
Inertes em tua digestão,
Foste o ultimato,
Inerte e finado
Dos que tiraste o sopro e a visão.