Foi por apenas trinta segundos.
Encaramo-nos, janela com janela,
você do banco de motorista,
eu do banco do passageiro.
Seus olhos eram tão intensos
que nada pude dizer.
Movi os lábios fingindo cantar
enquanto você continuava a me encarar.
Você estava entediado do trabalho?
Ou ficou curioso a respeito da música?
Será que eu devia tê-lo cumprimentado
ou tudo bem fingir que não me senti atraída?
Eu nunca saberei,
pois aqueles trinta segundos
foram tão únicos
e talvez nunca se repitam.
Eu gostaria de vê-lo novamente,
porém,
é pedir demais ao acaso.
Quem sabe outro dia,
quando eu decidir andar de ônibus
em vez do conforto sem graça
do interior de um carro.