Eu parei de pensar no futuro quando vi que no presente tinha tudo que precisava. Tinha sua presença, seu sorriso, seus braços ao meu alcance, sua mão ao segurar a minha. Preciso confessar que em muitos momentos temi o futuro. Temi a despedida.
Para mim é como se estivéssemos a andar sobre uma linha de trem enquanto, não muito distante, o mesmo estivesse a caminho de nós dois. No começo sem fazer alarme. Vinha devagar e achávamos até que ele não viria – ao menos queríamos imaginar isso –, depois de um tempo ele dava seus sinais. Tocava a sirene e acendia os faróis. Nós apenas continuávamos a andar ignorando-o completamente.
Até que um dia o trem chegou. Estavamos prestes a ser atropelados por ele. Até que pensamos em tudo que passou. Cada segundo sendo minuciosamente apreciado, o dia a dia vivido sem preocupacão e os pensamentos de quão belas lembranças já tinhamos. Lembranças, fotos, conversas que tivemos…
A despedida é ruim, - sinceramente nem queria que chegasse -, mas temos no coração a certeza que aproveitamos cada segundo. Não houve tempo perdido. Na verdade, com nós dois não existe tempo perdido. Muitas vezes – quando estamos sozinhos – sequer existe tempo.