De todo amor
Que no fino e puro ardor
Faz esvair-se toda a melancolia.
Do leve e entorpecente aroma no ar
Que como por magia
Te faz tão mais guria.
Teus lábios de cigana,
Nem oblíqua, nem sacana
Encantam sob o luar,
Escondem-se sob o sol.
Teus olhos tão sozinhos
São, no raio ínfimo de luz,
A alma incandescente,
Interna e inerente.
Encontro-te por pensamento,
Pairando e desatento,
Descubro-te na multidão das cidades,
Vejo-te nas ruas que atravesso,
Vejo-te ainda agora,
Cego para o mundo,
Introvertido em mim,
Perdido em ti,
Encontro-me em nós.